Arquiteto japonês Kengo Kuma é o nome que liga o Olímpico de Tóquio ao Matadouro de Campanhã
29-05-2018

O novo Estádio Nacional de Tóquio, que receberá a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2020, foi projetado por Kengo Kuma, o mesmo que, em parceria com os premiados arquitetos portugueses da OODA, um gabinete que bebe da famosa escola de arquitetura do Porto, desenvolveu o conceito que será implementado no Matadouro. A concessão foi hoje adjudicada e o anúncio foi feito no site e jornal da Câmara do Porto.


Mal comparado, podemos dizer que o projeto que será desenvolvido no Matadouro é "a nova Casa da Música" da cidade, tal o impacto que terá do ponto de vista da referência arquitetónica e do que representará para a cidade, tendo em conta os nomes envolvidos no projeto.


Nascido em Yokohama, produto da escola de arquitetura de Tóquio, Kengo Kuma é autor de outros objetos de enorme importância para a arquitetura mundial, como o Suntory Museum of Art, na capital japonesa; a Bamboo Wall House, na China; a sede do Grupo Louis Vuitton, no Japão; o Besançon Art Center, em França; e um dos maiores spas das Caraíbas, para a Mandarin Oriental Dellis Cay.


O projeto prevê uma grande cobertura que, num só gesto, une o antigo, que será preservado, e o novo edifício de remate, assim como a passagem por cima da VCI.


Todo o trabalho foi feito com o cuidado e sensibilidade de quem intervém em património histórico, mas pretendendo criar unidade e identidade. Estabelece assim um diálogo de escala com as grandes infraestruturas adjacentes e, de forma subtil, através dos materiais, com o casario da freguesia da Campanhã. O desenho da cobertura não só une todo o complexo, como através do seu movimento (cumieiras) sublinha as partes essenciais do programa, servindo como pontos de referência e orientação.


A proposta cria um impacto visual único para quem atravessa a vci e permite fazer com que a cidade ganhe elasticidade e usufruto durante 365 dias, enquanto ativa o lugar com o seu programa e abre também todo um conjunto de novas oportunidades para os espaços exteriores e para a comunidade.


Garante-se assim a desejada visibilidade e atração a esta zona da cidade, que será fundamental para o sucesso a longo prazo do processo de consolidação territorial e de inclusão social. A passagem aérea, enquanto ponte pedonal superior sobre a VCI, permitirá unir o complexo do Matadouro à zona do Estádio do Dragão a poente. Mas, enquanto jardim e miradouro, será também o remate mais visível de uma abordagem que cria uma nova identidade marcante.