Ponte D. António Francisco dos Santos vai unir as margens de Porto e Gaia
12-04-2018

É um dia histórico para as cidades ribeirinhas do Porto e Vila Nova de Gaia. Vai nascer uma nova ponte entre as já existentes de São João e do Freixo. A obra, muito importante para a região, será totalmente paga pelos dois municípios. Em homenagem ao antigo bispo do Porto, a nova ponte receberá o nome D. António Francisco dos Santos.


Será a sétima travessia sobre o rio Douro e vai unir os dois concelhos entre a zona de Campanhã, no Porto, e Oliveira do Douro, em Vila Nova de Gaia. Na cerimónia que esta manhã se realizou no Laboratório Edgar Cardoso, conduzida pelos dois autarcas - Rui Moreira e Eduardo Vítor Rodrigues - ficou a saber-se que a nova ponte será construída na zona mais estreita do rio, à cota baixa, entre a ponte de São João e a do Freixo, local em que as duas margens distam apenas 250 metros.


Estima-se que a obra esteja concluída nos próximos quatro anos e, referiu Rui Moreira, "terá um custo conservador de cerca de 12 milhões de euros", integralmente assumidos pelos dois municípios em partes iguais, sem recurso a financiamento externo. Mais ainda, esta nova ligação permitirá prosseguir a política de mobilidade articulada entre os dois territórios, que passará, numa outra fase, por pedonalizar o tabuleiro inferior da Porte Luís I e intervir na Ponte D. Maria, tornando-a transitável para peões e bicicletas.




Na cerimónia, o presidente da Câmara de Gaia salientou que a construção da Ponte D. António Francisco dos Santos representa "o corolário do trabalho de requalificação das zonas ribeirinhas dos dois concelhos", possibilitando uma nova frente de regeneração e uma resposta mais eficaz e integrada aos constrangimentos de mobilidade existentes. De resto, uma área cujo investimento e articulação entre Porto e Gaia é fundamental, considerou.


Dirigindo-se a Rui Moreira como "o arauto da defesa da região Norte", Eduardo Vítor Rodrigues elogiou o trabalho desenvolvido pelo presidente da Câmara do Porto, "pela sua forma diferente de estar" e a sua visão de futuro. 

De igual modo, ressalvou que "esta infraestrutura não depende de nenhuma candidatura" e que não só será importante para as duas cidades como para toda a região. Esta é "uma obra da região", além de que "vai ainda possibilitar o redesenho das duas margens [orientais]" - uma malha que, entende, estava abandonada.


Quanto à denominação escolhida para a nova ponte - D. António Francisco dos Santos (antigo bispo do Porto do Porto, falecido em setembro do ano anterior) - tem "uma componente simbólica", admitiu o autarca da Gaia. "É a personalidade que melhor simboliza as pontes entre nós [Porto e Gaia]. Torna-nos maiores".


Por seu turno, Rui Moreira destacou que este trabalho "já começou há muito tempo, no início dos mandatos anteriores", mas a discrição de ambos os autarcas permitiu que o anúncio tivesse, efetivamente, sido acolhido com surpresa.


Recordou o presidente do Município do Porto os problemas de mobilidade que, ao longo dos últimos anos, levaram os dois presidentes de Câmara a procurar novas soluções de ligação entre as duas cidades. "Alturas houve em que pensavam que era eleitoralismo, nada dissemos".


De facto, outras hipóteses já estiveram em cima da mesa, reavivou: "propôs-se alargar o tabuleiro inferior da ponte Luís I, mas não deixaram"; ou "também se pensou numa obra a jusante daquela ponte, mas logo iriam dizer que ia estragar o centro histórico que é um só, do Porto e de Gaia", constatou.


Nessa medida, Rui Moreira evocou o engenheiro Adão da Fonseca que já tinha proposto a construção de uma ponte no local hoje gizado (na zona de Oliveira do Douro, entre as pontes São João e do Freixo, à cota baixa). "Parece uma ideia óbvia, mas precisava ser concretizada". Ao que acrescentou: "Será lançado um concurso para a sua conceção ainda este ano".


Em representação da Diocese do Porto, D. António Taipa, administrador diocesano, disse estar "profundamente emocionado pelo nome da nova ponte ser D. António Francisco dos Santos". E agradeceu o gesto aos dois autarcas por assim perpetuarem a sua memória: "O nosso querido bispo vem sendo chamado à memória pela evocação daquilo que foi o seu ministério episcopal. Um homem de proximidade, simples, marcado pelo carinho e pelo afeto".


Natural de Cinfães, no Douro, D. António Francisco dos Santos "identificou-se com a cidade a todas as dimensões. Cedo foi um dos nossos e logo, também, o consideramos um dos nossos", concluiu, emocionado, D. António Taipa.